sábado, 6 de dezembro de 2025

Origem e Feitos de Francisco Rosa Ribeiro

 Origem e Feitos de Francisco Rosa Ribeiro

Francisco Rosa Ribeiro, o Chico Preto, como é conhecido, nasceu em

05/10/1915, na região das Sete Lagoas, Distrito de N. S. D’Abadia do Paranaíba,

hoje Quirinópolis. É filho de Sebastião Ovídio Ribeiro e Josina Rosa de Morais.

Eram seus avôs, pelo lado paterno, Antonio Ovídio Ribeiro e Sebastiana Rita de

Jesus, que vieram de Prata - MG, para trabalhar em terras do Coronel Jacinto

Honório. Pelo materno, Francisco Rosa de Morais, pioneiro das Sete Lagoas,

descendente de portugueses e originário de Araxá - MG, que aqui chegou em

1850, para se juntar a Ana de Jesus, filha da ex-escrava Brígida, que pertencia a

escravaria do João Crisóstomo de Oliveira, o primeiro desbravador desta região. O

apelido Chico Preto veio para diferenciá-lo de Chico Rosa, seu avô e de um primo,

que eram brancos.

Francisco Rosa Ribeiro tinha apenas nove anos, quando perdera seu pai.

Como era o filho mais velho, ajudou sua mãe a criar seus irmãos - Azarias, João,

Maria Luca, Luzia e Cristiano. Com eles cuidavam do gado, das plantações e de

outras atividades da fazenda. O Chico Preto desenvolveu sua habilidade como

líder da família e se fez respeitado pelos irmãos, amigos e companheiros.

Aos 35 anos, após uma longa jornada de vida bem intensa, casou-se com

Olina Alves Rodrigues, uma garota de 17 anos, que era filha de Benedito

Gonçalves Rodrigues (Benedito Carlota) e dona Olímpia Alves Rodrigues. Era

neta do casal Pedro Gonçalves Rodrigues (Pedro Cecília) e dona Carlota Correa

Neves, pelo lado paterno. A índia Maria Alves Rodrigues era sua avó, pelo lado

materno. Do casamento citado resultaram os filhos Ângelo, Aldo, Anádio e Arnaldo

Bartolomeu.

Chico Preto, em 1960, era um modesto criador de gado e produtor de leite,

ou melhor, de creme de leite, um subproduto obtido na fazenda, através de

desnatação mecânica, que era vendido a uma fábrica de laticínios, onde se

transformava em manteiga de leite. Por um determinado tempo, no início dos anos

70, dedicou-se a agricultura, ao plantio de arroz de sequeiro, mas devido as

constantes frustrações de safras, por falta de chuvas, teve que abandonar a

lavoura, plantando capim em seu lugar. Como a sua principal atividade era o

comércio, podia se dizer, então, que ele era um comerciante da zona rural.

Todavia, tinha uma grande paixão: a política. E com o passar dos anos se fez um

influente líder político. Antes mesmo de se casar, já era um militante. Foi

coordenador de campanhas de candidatos a prefeito e membro do PSD – Partido

Social Democrático. Era amigo e companheiro político dos ex-prefeitos Joaquim

Quirino Cardoso e Hélio Campos Leão, já falecidos. Este último, uma legenda

política, que por três vezes administrou o município, em suas etapas de

estruturação, tornando-se o seu grande benfeitor.

Como político Chico Preto sempre discutia com seus amigos os problemas

da região e a forma de resolvê-los. Foi o principal articulador das campanhas

eleitorais dos representantes da região. Ajudou seus companheiros Cory Andrade

Oliveira e João Vieira Neto a se elegeram vereador, cada um por dois mandatos

consecutivos e Valdemar Rosa Martins, por um mandato. Chico Preto também

ajudou a eleger como vereadores seus filhos, Anádio Rosa Ribeiro, por um

mandato e Aldo Rosa Ribeiro, por duas legislaturas. Com seu apoio, o filho Ângelo


Rosa Ribeiro se elegeu deputado estadual em 1982 e 1986, consecutivamente.

Este chegou a ocupar por duas vezes o cargo de secretário estadual de

agricultura e de secretário estadual de planejamento e coordenação, nos governos

de Henrique Santillo e Naphtaly Alves. O Chico Preto, pela sua origem humilde,

muito se orgulha de ter como o filho o primeiro deputado de seu partido filho de

Quirinópolis e o primeiro a ocupar cargos de primeiro escalão no governo de

Goiás.

Sua luta política resultou em importantes conquistas para a região das Sete

Lagoas, como abertura e conservação das estradas, construção de pontes,

escolas, assistência a doentes, prestação de serviços, através da contratação de

dentistas, apoio ao esporte e tantos outros benefícios. Em sua fazenda, construiu

e manteve, com ajudas de pais de alunos, por vários anos, uma escola rural

particular, onde os professores José Freire, João Barreto de Souza, Ivani Borges

Costa e Mário Marques de Almeida puderam ajudar mais de 100 alunos a

conquistar a tão necessária alfabetização e os conhecimentos das disciplinas do

ensino fundamental.

Em 1961, apoiou o candidato João Hércules, que se elegeu prefeito

municipal e recebeu dele operários, máquinas e a missão de abrir, pelo meio de

espessa mata, a rodovia que liga o povoado do Tocozinho à Castelândia, obra a

que se dedicou até o seu final.

Em 1965, quando foi indicado, pelos seus companheiros de oposição,

candidato a vereador, a repressão à atividade política era escancaradamente

exercida, em todo lugar. Em Quirinópolis, também, por aqueles que aqui se

aliavam à ditadura militar. Como político, demonstrou coragem e idealismo,

aceitando uma missão que criava indisposição com o poder absoluto e autoritário

dominante. Em algumas oportunidades participou de sessões da Câmara

Municipal, sob cerceamento de militares, que a todos constrangiam. Eram raros

os líderes que na época aceitavam uma candidatura oposicionista, porque temiam

as perseguições políticas. Desta forma, exerceu um importante papel na defesa

dos ideais democráticos ameaçados aqui e em toda parte do país. E tudo isso,

sem nenhuma remuneração, como era, naquele tempo, a atividade do vereador.

Alguns anos se passaram e se tornou vice-presidente do PMDB de

Quirinópolis e mais tarde seu presidente de honra.

Francisco Rosa Ribeiro repassou aos filhos a paixão pela política e o ideal

de servir com alegria, sem nada exigir em troca. Sua esposa Olina Alves Ribeiro,

sempre o acompanhou e sente-se orgulhosa pela luta de seu esposo e seus filhos,

pelo prazer que todos sentem ao servir aos seus semelhantes, sobretudo os

necessitados, pelos quais sempre dedicou sua atenção. Desde que estão juntos,

nunca deixaram de participar de atividades político-partidária. A sua casa esteve

sempre cheia de gente, como seus filhos, parentes, amigos e, claro, os seus

correligionários. Na hora das eleições ninguém fica em cima do muro.

Como homenagem aos pioneiros, Chico Preto sempre dizia: “Só quem

conheceu a região, como conheci, toda coberta de extensos cerrados e matas, tão

atrasada e improdutiva, pode imaginar todas as dificuldades, sofrimento e os

temores porque passaram os pioneiros, porque, naquele tempo, o desconhecido

dominava e representava uma ameaça constante. Um mundão a perder das

vistas, coberto de cerrados, com gente sem instrução e informação, sem


novidades e que pouco produzia. Era preciso viver, tanto quanto hoje é preciso,

mas não existiam vacinas, médicos, disponibilidade de remédios e outros

recursos. Diante de cobras, bichos ferozes, acidentes graves, doenças perigosas,

quase nada se podia fazer, além de pedir a proteção de Deus.

Para modificar aquela realidade muitos companheiros doaram suas vidas. Por isso

é possível avaliar o tamanho da contribuição que estas famílias e seus

descendentes deram, ao longo de muitos anos, para que o município chegasse

aonde chegou, com todas as facilidades que hoje nele existem. Como testemunha

viva de boa parte destes acontecimentos, penso que mereciam ser

homenageados todos os pioneiros, benfeitores e os valorosos trabalhadores

daquela época, nas pessoas de seus descendentes e familiares”.

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