Origem e Feitos de Francisco Rosa Ribeiro
Francisco Rosa Ribeiro, o Chico Preto, como é conhecido, nasceu em
05/10/1915, na região das Sete Lagoas, Distrito de N. S. D’Abadia do Paranaíba,
hoje Quirinópolis. É filho de Sebastião Ovídio Ribeiro e Josina Rosa de Morais.
Eram seus avôs, pelo lado paterno, Antonio Ovídio Ribeiro e Sebastiana Rita de
Jesus, que vieram de Prata - MG, para trabalhar em terras do Coronel Jacinto
Honório. Pelo materno, Francisco Rosa de Morais, pioneiro das Sete Lagoas,
descendente de portugueses e originário de Araxá - MG, que aqui chegou em
1850, para se juntar a Ana de Jesus, filha da ex-escrava Brígida, que pertencia a
escravaria do João Crisóstomo de Oliveira, o primeiro desbravador desta região. O
apelido Chico Preto veio para diferenciá-lo de Chico Rosa, seu avô e de um primo,
que eram brancos.
Francisco Rosa Ribeiro tinha apenas nove anos, quando perdera seu pai.
Como era o filho mais velho, ajudou sua mãe a criar seus irmãos - Azarias, João,
Maria Luca, Luzia e Cristiano. Com eles cuidavam do gado, das plantações e de
outras atividades da fazenda. O Chico Preto desenvolveu sua habilidade como
líder da família e se fez respeitado pelos irmãos, amigos e companheiros.
Aos 35 anos, após uma longa jornada de vida bem intensa, casou-se com
Olina Alves Rodrigues, uma garota de 17 anos, que era filha de Benedito
Gonçalves Rodrigues (Benedito Carlota) e dona Olímpia Alves Rodrigues. Era
neta do casal Pedro Gonçalves Rodrigues (Pedro Cecília) e dona Carlota Correa
Neves, pelo lado paterno. A índia Maria Alves Rodrigues era sua avó, pelo lado
materno. Do casamento citado resultaram os filhos Ângelo, Aldo, Anádio e Arnaldo
Bartolomeu.
Chico Preto, em 1960, era um modesto criador de gado e produtor de leite,
ou melhor, de creme de leite, um subproduto obtido na fazenda, através de
desnatação mecânica, que era vendido a uma fábrica de laticínios, onde se
transformava em manteiga de leite. Por um determinado tempo, no início dos anos
70, dedicou-se a agricultura, ao plantio de arroz de sequeiro, mas devido as
constantes frustrações de safras, por falta de chuvas, teve que abandonar a
lavoura, plantando capim em seu lugar. Como a sua principal atividade era o
comércio, podia se dizer, então, que ele era um comerciante da zona rural.
Todavia, tinha uma grande paixão: a política. E com o passar dos anos se fez um
influente líder político. Antes mesmo de se casar, já era um militante. Foi
coordenador de campanhas de candidatos a prefeito e membro do PSD – Partido
Social Democrático. Era amigo e companheiro político dos ex-prefeitos Joaquim
Quirino Cardoso e Hélio Campos Leão, já falecidos. Este último, uma legenda
política, que por três vezes administrou o município, em suas etapas de
estruturação, tornando-se o seu grande benfeitor.
Como político Chico Preto sempre discutia com seus amigos os problemas
da região e a forma de resolvê-los. Foi o principal articulador das campanhas
eleitorais dos representantes da região. Ajudou seus companheiros Cory Andrade
Oliveira e João Vieira Neto a se elegeram vereador, cada um por dois mandatos
consecutivos e Valdemar Rosa Martins, por um mandato. Chico Preto também
ajudou a eleger como vereadores seus filhos, Anádio Rosa Ribeiro, por um
mandato e Aldo Rosa Ribeiro, por duas legislaturas. Com seu apoio, o filho Ângelo
Rosa Ribeiro se elegeu deputado estadual em 1982 e 1986, consecutivamente.
Este chegou a ocupar por duas vezes o cargo de secretário estadual de
agricultura e de secretário estadual de planejamento e coordenação, nos governos
de Henrique Santillo e Naphtaly Alves. O Chico Preto, pela sua origem humilde,
muito se orgulha de ter como o filho o primeiro deputado de seu partido filho de
Quirinópolis e o primeiro a ocupar cargos de primeiro escalão no governo de
Goiás.
Sua luta política resultou em importantes conquistas para a região das Sete
Lagoas, como abertura e conservação das estradas, construção de pontes,
escolas, assistência a doentes, prestação de serviços, através da contratação de
dentistas, apoio ao esporte e tantos outros benefícios. Em sua fazenda, construiu
e manteve, com ajudas de pais de alunos, por vários anos, uma escola rural
particular, onde os professores José Freire, João Barreto de Souza, Ivani Borges
Costa e Mário Marques de Almeida puderam ajudar mais de 100 alunos a
conquistar a tão necessária alfabetização e os conhecimentos das disciplinas do
ensino fundamental.
Em 1961, apoiou o candidato João Hércules, que se elegeu prefeito
municipal e recebeu dele operários, máquinas e a missão de abrir, pelo meio de
espessa mata, a rodovia que liga o povoado do Tocozinho à Castelândia, obra a
que se dedicou até o seu final.
Em 1965, quando foi indicado, pelos seus companheiros de oposição,
candidato a vereador, a repressão à atividade política era escancaradamente
exercida, em todo lugar. Em Quirinópolis, também, por aqueles que aqui se
aliavam à ditadura militar. Como político, demonstrou coragem e idealismo,
aceitando uma missão que criava indisposição com o poder absoluto e autoritário
dominante. Em algumas oportunidades participou de sessões da Câmara
Municipal, sob cerceamento de militares, que a todos constrangiam. Eram raros
os líderes que na época aceitavam uma candidatura oposicionista, porque temiam
as perseguições políticas. Desta forma, exerceu um importante papel na defesa
dos ideais democráticos ameaçados aqui e em toda parte do país. E tudo isso,
sem nenhuma remuneração, como era, naquele tempo, a atividade do vereador.
Alguns anos se passaram e se tornou vice-presidente do PMDB de
Quirinópolis e mais tarde seu presidente de honra.
Francisco Rosa Ribeiro repassou aos filhos a paixão pela política e o ideal
de servir com alegria, sem nada exigir em troca. Sua esposa Olina Alves Ribeiro,
sempre o acompanhou e sente-se orgulhosa pela luta de seu esposo e seus filhos,
pelo prazer que todos sentem ao servir aos seus semelhantes, sobretudo os
necessitados, pelos quais sempre dedicou sua atenção. Desde que estão juntos,
nunca deixaram de participar de atividades político-partidária. A sua casa esteve
sempre cheia de gente, como seus filhos, parentes, amigos e, claro, os seus
correligionários. Na hora das eleições ninguém fica em cima do muro.
Como homenagem aos pioneiros, Chico Preto sempre dizia: “Só quem
conheceu a região, como conheci, toda coberta de extensos cerrados e matas, tão
atrasada e improdutiva, pode imaginar todas as dificuldades, sofrimento e os
temores porque passaram os pioneiros, porque, naquele tempo, o desconhecido
dominava e representava uma ameaça constante. Um mundão a perder das
vistas, coberto de cerrados, com gente sem instrução e informação, sem
novidades e que pouco produzia. Era preciso viver, tanto quanto hoje é preciso,
mas não existiam vacinas, médicos, disponibilidade de remédios e outros
recursos. Diante de cobras, bichos ferozes, acidentes graves, doenças perigosas,
quase nada se podia fazer, além de pedir a proteção de Deus.
Para modificar aquela realidade muitos companheiros doaram suas vidas. Por isso
é possível avaliar o tamanho da contribuição que estas famílias e seus
descendentes deram, ao longo de muitos anos, para que o município chegasse
aonde chegou, com todas as facilidades que hoje nele existem. Como testemunha
viva de boa parte destes acontecimentos, penso que mereciam ser
homenageados todos os pioneiros, benfeitores e os valorosos trabalhadores
daquela época, nas pessoas de seus descendentes e familiares”.
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